Segundo a Organização Mundial da Saúde existe 10% de pessoas com deficiências, destes, de 3 a 5% tem deficiência intelectual. Apesar do crescimento do movimento pela inclusão no mundo do trabalho, poucas pessoas com deficiência intelectual têm a oportunidade de exercer alguma atividade remunerada se não for adequadamente preparada para este fim.
Por isso a APAE de São Paulo propõe o projeto Parceiros pela Capacitação, que abrange a formação de adolescentes com deficiência intelectual, com perfil funcional para desenvolvimento de habilidades necessárias à inclusão no mundo do trabalho. Dos atendidos, a grande maioria é proveniente de famílias de baixa renda em situação de vulnerabilidade social, caracterizada pela carência nutricional e o baixo índice escolar.
A instituição, ciente de que o mercado de trabalho exige cada vez mais do trabalhador, procura por meio deste projeto contribuir com a experiência de sua equipe interdisciplinar para capacitar pessoas com deficiência intelectual, agindo também como facilitadora na inclusão profissional na cidade de São Paulo e região Metropolitana.
Em sete anos de aplicação da chamada 'Lei de Cotas', a Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo - DRT/SP, registrou 3.113 contratações de pessoas com deficiência intelectual. Em 5 anos de atividade, só a área de Capacitação para o Trabalho da APAE de São Paulo respondeu por mais de 22% destas contratações.
Somente em 2007, 53 empresas foram sensibilizadas sobre a deficiência intelectual, o que atingiu um corpo de funcionários composto por 1.830 pessoas."
Segundo dados do Ministério da Educação, apenas 52% das crianças com deficiência intelectual permanente têm acesso à escola.
Além destes números reduzidos, o simples fato do deficiente intelectual estar matriculado em uma escola regular não significa que ele esteja incluído. A APAE de São Paulo percebe em seu trabalho cotidiano a dificuldade de muitos educadores em lidar de forma adequada com uma criança com deficiência que venha a ser inserida no grupo.
Para garantir este espaço inclusivo, o ingresso e a permanência da criança com deficiência em escolas de ensino fundamental regulares, o Serviço de Apoio à Inclusão (SAI) da APAE de São Paulo propõe um conjunto de ações interdisciplinares que se voltam para o pleno desenvolvimento da criança com deficiência intelectual, o assessoramento das escolas de origem destas crianças e o fortalecimento das respectivas famílias.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 82% das pessoas com deficiência vivem abaixo da linha da pobreza nos países em desenvolvimento.
Este quadro mundial reflete-se no dia-a-dia da APAE de São Paulo. As famílias com crianças e adolescentes atendidos são principalmente oriundas da periferia das zonas leste, sul e norte e, na maioria dos casos, têm um histórico de carências e limitações causadas por barreiras econômicas e sociais que as empurram para uma situação na qual nem seus direitos mais básicos são exercidos, como por exemplo, a freqüência em escolas regulares, o porte de documentos, o recebimento de benefícios garantidos por lei, a convivência em diferentes espaços públicos, entre outros.
Daí a necessidade de um serviço cujo foco de atuação esteja na defesa e garantia de direitos da criança e adolescente com deficiência intelectual, promovendo ações junto às famílias, rede de apoio e poder público, de tal modo que crianças e adolescentes com deficiência e suas respectivas famílias possam tomar para si a dignidade social que o pleno exercício da cidadania é capaz de proporcionar.
Em 2007 630 famílias foram orientadas sobre os seus direitos e a proposta seria ampliar o acesso para 2000 famílias, já que de acordo com a OMS, o município de São Paulo conta com aproximadamente 600mil pessoas com deficiência intelectual.